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Rosânia Souza Dias, 37 anos, professora, mora em Parauapebas - PA
“Eu morei com meu ex-companheiro durante dois anos. A convivência era bastante tumultuada, marcada por agressões físicas e psicológicas. Pouco antes do Natal do ano passado, dia 21 de dezembro, ele arrombou a grade da janela e invadiu minha casa. Era de madrugada, por volta de 4h. Fui agredida várias vezes com um pedaço de madeira, que era um braço de uma cadeira escolar, e sofri lesões no rosto e na cabeça.
Fui atendida no Hospital Municipal de Parauapebas, onde recebi os primeiros socorros. O cirurgião-geral que me atendeu concluiu, no laudo médico, que eu apresentava estado de saúde regular, de modo geral, com lesões extensas no couro cabeludo, provocadas pelas agressões. Mais tarde, o quadro de saúde se agravou, com risco de morte, e eu tive de ser transferida para o Hospital Regional de Marabá e depois passei por uma cirurgia em São Luís.
Sei que meu companheiro foi até a minha casa com intenção de me matar e depois inventou uma desculpa para justificar a agressão. Ele disse, em audiência, que me agrediu porque encontrou um homem em minha casa, o que teria lhe provocado ódio e descontrole emocional. Mentira. Graças à intervenção dos vizinhos, ele foi preso em flagrante e responde a processo por tentativa de homicídio.
Fui atendida também por assistentes sociais no Centro de Referência para Mulheres, da Secretaria Municipal da Mulher, mas, devido à brutalidade das lesões sofridas, tive perda de massa encefálica e de tecido que envolve o cérebro.
Hoje sou portadora de deficiência auditiva do lado esquerdo, apresento lapsos de memória e comecei a perder força no meu braço direito. Estou separada há dois anos, tenho dois filhos, mas minha família e eu ainda temos muito medo de acontecerem outros episódios de violência, cometidos, não só pelo meu ex-companheiro, mas também por familiares dele. Mas, como professora, que exemplo eu daria para meus alunos – e também para meus filhos – se eu não registrasse queixa?”.
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